O projeto que está na origem da candidatura «Casa da Gastronomia do Nordeste das Terras de Azeméis», cujo promotor é a Freguesia de Cesar, que integra o município de Oliveira de Azeméis, apresenta-se como um objetivo estratégico na valorização e requalificação do património natural e edificado da área geográfica onde se insere a freguesia.
A candidatura apresenta como objetivo central a divulgação do património cultural, com especial incidência na gastronomia, e edificado, de base rural, da freguesia, e da região onde se insere, o Nordeste das Terras de Azeméis. Para esse efeito leva-se a cabo o levantamento das receitas tradicionais, nas quais se inscrevem as tradições locais, sobretudo nas épocas festivas, quando a gastronomia é parte essencial das reuniões em família, na recriação dos usos e costumes. Por outro lado, a identificação de um edifício que apresenta um reconhecido valor simbólico, afetivo, onde em tempos de confecionou o pão em tempos de escassez, de racionamento dos alimentos, conduz à memória das gentes a presença desse edifício como um lugar com elevada estima, pelo que justifica a sua recuperação, nele integrando o programa demonstrativo de confeção dos pratos tradicionais, preservando a sua memória viva através da degustação. Reúne-se, portanto, neste espaço, o passado, o presente e o futuro. Para além do programa de recolha etnográfica, da gastronomia, e de recuperação do imóvel, o espaço onde se insere o edifício, na posse do promotor, apresenta ainda uma ligação às práticas tradicionais da lavoura, nomeadamente ao apresentar um conjunto edificado constituído por espigueiro, casa da eira, e eira, conjunto que remete para uma das principais atividades que os agricultores locais levam a cabo, com o cultivo do milho, e o consequente tratamento, com colheita, debulha, na eira, e moagem, ou moenda, nos moinhos de água que estão próximos do terreno, e que faziam parte do terreno.
Em resumo, a candidatura apresenta três ações que se complementam entre si, na vertente imaterial e material, contribuindo para definir um plano coerente que o promotor pretende levar a cabo em articulação com os parceiros, e com as gentes locais.
1 – Preservação do património histórico e cultural do território, através da recolha etnográfica relacionada com os hábitos gastronómicos da população, os quais se relacionam com os produtos e géneros agrícolas que eram, e são, cultivados no território do «nordeste das terras de Azeméis». Elaboração e publicação do livro “Gastronomia do Nordeste das Terras de Azeméis.
2 - A reabilitação do património edificado constituído pelos anexos de lavoura, antiga padaria e restante edifício, onde se levavam a cabo as tarefas diárias, refuncionalizando-o com o objetivo de inserir uma ampla sala de refeições, com uma cozinha com forno aquecido a lenha, bem como espaços complementares para uma adequada utilização pelo público que irá frequentar este espaço, como instalações sanitárias e sala de receção.
3 - A intervenção na requalificação e valorização do património natural/vegetal, onde se localiza um espigueiro, um palheiro e uma eira, bem como a área envolvente, nestes promovendo a realização de atividades lúdicas, demonstrativas da sua funcionalidade, para além de servirem de apoio às atividades pedestres, na utilização de um caminho natural que o terreno proporciona no seu hectare e meio.