O projeto que está na origem da candidatura «Núcleo Pedagógico da Ruralidade das Terras de Azeméis», cujo promotor é a Freguesia de Cesar, que integra o município de Oliveira de Azeméis, apresenta-se como um objetivo estratégico na defesa do património rural, edificado, como é o caso dos inúmeros palheiros e espigueiros que marcam a paisagem do concelho, das Terras de Azeméis, bem como a defesa das tradições, relacionadas com o ciclo produtivo, sementeira e colheita. Pretende-se, igualmente, promover as práticas agrícolas tradicionais, uma vez que são parte significativa da paisagem do concelho, partilhada pela proliferação de indústrias.
Esta candidatura enquadra-se na medida a que se submete, de financiamento, do PDR 2020. A candidatura apresenta como objetivo central a divulgação do património cultural, e ambiental, com especial incidência nas características do edificado, bem como nas tradições, na etnografia da região onde se insere, nas Terras de Azeméis.
Para esse efeito leva-se a cabo a recuperação de um conjunto edificado, definido por palheiro, designado por «casa da eira», a eira e um espigueiro, característico da região, de tronco cónico, já objeto de vários estudos publicados, sendo referência maior o estudo da autoria de Ernesto Veiga de Oliveira, «Espigueiros Portugueses». Por outro lado, com a recuperação e ampliação do edifício, pretende-se albergar um espólio cedido à freguesia de Cesar, constituído por várias alfaias agrícolas, que justifica a sua divulgação, e a sua preservação, no sentido de restituir a memória vivida pelas gentes das Terras de Azeméis, com destaque para os utensílios fabricados pelas suas gentes, no auxílio à atividade agrícola. A presença do espigueiro, da casa da eira, e da eira, remete para uma das principais atividades que os agricultores locais levam a cabo, com o cultivo do milho, com colheita, seguida da debulha, na eira, e a moagem do milho nos moinhos de água que estão próximos do terreno, ciclo que marca a etnografia do concelho, e da freguesia de Cesar, ao qual se pretende dar particular destaque.
Em resumo, a candidatura apresenta três ações que se complementam entre si, na vertente imaterial e material, contribuindo para definir um plano coerente que o promotor pretende levar a cabo em articulação com os parceiros, e com as gentes locais:
1 - A defesa do património etnográfico, material e imaterial, com destaque para as atividades diárias relacionadas com a lavoura, que relacionam as populações em diferentes lugares das Terras de Azeméis.
2 - A preservação do património edificado constituído pelos anexos de apoio à lavoura, promovendo a partir deste o encontro entre gerações, do público que irá frequentar este espaço, a partir do qual se pretende promover a pedagogia das práticas sustentáveis relacionadas com a agricultura tradicional.
3 - A intervenção na requalificação do terreno natural/vegetal, no qual se pretende promover as culturas biológicas, através do cultivo de hortas, reunindo os diferentes parceiros do projeto, bem como as populações que nele pretendem participar, ao cultivarem os produtos, nas diferentes espécies. Pretende-se, igualmente, promover as práticas de lazer ao ar livre, na natureza, complementada com atividades pedestres, na utilização de um caminho natural que o terreno proporciona no seu hectare e meio.