Junta de Freguesia de Cesar Junta de Freguesia de Cesar

História

De Villa Cesari a Vila de Cesar



História da Vila Cesar

Cesar remonta ao período eneolítico. O homem, daquela época, deixou aqui pelo menos três dólmenes ou antas. Dois destes monumentos existiram na linha divisória de Cesar com Fajões, mais concretamente, nas Mouriscas. Um terceiro monumento, supomos que terá existido no Mato d’Arca (arca = anta).

Situa-se no extremo norte do Município de Oliveira de Azeméis e é uma povoação muito antiga. Assim o atestam documentos - do ano de 1035 - anteriores à Nacionalidade, nos quais se referem a Cesar, com a designação de “Villa Cesari”. Nesta data, terá acontecido aqui uma sangrenta batalha, opondo as hostes cristãs do Rei de Leão e os Mouros.

No período da cultura castreja, provavelmente povos pré-celtas ou celtas, construíram aqui muralhas, de que é testemunho o Castro Calbo, cuja existência é referida em documentos desde o século XI.

Em 23 de março de 1035 as forças muçulmanas e cristãs comandadas por Leão Bermudo III entraram em confronto em território local, como é referido na Crónica Gothorum: “Era MLXXXIII Xº calend. Aprilis Rex Donnus Vermudo Habuit Victoriam de Mauris, Pugnauit cum eis. Et cepit ibi regem eorum cemia in Villa Cesari in terrtorio Castelli S. Marie.” (“No ano da Era de 1035, no décimo dia antes das Calendas de Abril, o Rei Dom Vermudo obteve vitória sobre os Mouros; combateu contra eles e capturou ali o seu rei, chamado Cemia, na Villa Cesari, no território do Castelo de Santa Maria”). Presume-se que os exércitos de Abu'l-Qasim foram ao encontro das hostes leonesas e  portucalesas.1  

Quis a história – ou talvez a estratégia - que fosse a “Terra de Cesari” a servir de palco dessa luta. A tradição divide o campo de batalha entre Cimo de Vila e Vilarinho, provavelmente no pequeno vale entre as serras do Pinheiro e da Pedra Má. Com certeza, essa vitória contribuiu para a consolidação do domínio cristão das Terras de Santa Maria da Feira – a Nossa Terra – e condado. Daí que hoje uma das ruas daquele local, por proposta de Américo Oliveira, tenha como toponímia – Rua dos Heróis Leoneses.

Inquirições de D. Afonso III falam-nos também da freguesia de Cesar. Desses tempos medievais é a “Honra de Cesar e Gaiate”, a qual continuou nos seus sucessores até Sebastião Lopes Godinho, que se intitulava, em documentos públicos “Senhor da honra de Cesar e Gaiate”. Mais tarde, já no tempo de Sebastião de Carvalho e Melo, avô do Marquês de Pombal, a Quinta de Cesar e todos os vínculos foram vendidos aos senhores do Côvo.


Foi aqui, mais propriamente na Quinta do Outeiro, que nasceu, em 1788, o combatente liberal frei Simão de Vasconcelos, frade monástico do Mosteiro de Alcobaça, que participou ativamente nas lutas contra os absolutistas, acabando por ser capturado e fuzilado em Viseu, em 1832.


No século XIX, foram muitos os homens de Cesar que emigraram para o Brasil. Os frutos dessa emigração são ainda hoje visíveis nos casarões – abrasileirados - com as suas quintas e jardins que se podem ver espalhados pela freguesia. Filho ilustre desta terra, que bem cedo emigrou para o Brasil, foi o Doutor José Francisco da Silva Lima, procedente da centenária Casa do Cabo do lugar de Vilarinho, onde nasceu a 15 de janeiro de 1826, descendente de Manuel Francisco da Silva e de Rosa Joaquina de Lima Produziu obra notável pelos seus conhecimentos de medicina tropical. Destaca-se a contribuição do Doutor José Silva Lima, que estudou e descreveu o Beri-béri com rigor clínico e científico, contribuindo para a compreensão da doença para além das teorias infeciosas então dominantes. O seu trabalho integrou o Brasil no debate científico internacional sobre a etiologia e prevenção do Beri-béri.


Em 1890, a primeira indústria cesarense é criada por Manoel de Mello, no ramo da funilaria, latoaria e fabrico de gasómetros. Atualmente, Cesar é um centro industrial por excelência, predominando a indústria metalomecânica.


A atual igreja de Cesar, com duas torres e uma nave, foi construída no início do século XIX, à custa de um subsídio retirado do imposto do “real da água” da comarca da Feira, havendo inclusive um alvará régio concedido para apoiar a construção das obras da atual igreja que começaram em 1802 tendo sido concluídas em 1810.


A primeira igreja em Cesar data do ano 1068 e já tinha como Orago, S. Pedro. Situava-se na villa denominada Cesari, muito próximo da atual residência paroquial. Durante o período das obras de construção da atual igreja que durou oito anos (1802-1810), a capela de Sª Luzia da Quinta do Outeiro serviu de igreja matriz.


O edifício da igreja anterior erguia-se no terreiro em frente à igreja atual e quando começou a ser edificada a nova igreja, era pároco o Padre José Moreira Maia. Em 1882, foi construído o muro do adro.


Elevada a categoria de Vila a 20 de Maio de 1993.

1 Ribeiro de Sousa, José Alexandre (maio de 2016).""In finibus Gallecie" -A Reconquista no atual território português: O contexto de um processo dinâmico, 868-1064"

© 2026 Junta de Freguesia de Cesar. Todos os direitos reservados | Termos e Condições

  • Desenvolvido por:
  • GESAutarquia